Estive neste fim de semana na praia de Vilas do Atlântico e participei do “Vou na Praia”, evento realizado em parceria Prefeitura de Lauro de Freitas que abriu o verão neste aprazível espaço à beira-mar. Lá estiveram a prefeita Débora Régis, o vice-prefeito Mateus Reis (também titular da SECULJE – Secretaria Municipal de Cultura, Lazer, Juventude e Esporte), além de outros servidores municipais, entre os quais Fausto Franco (da SEMDET – Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Inovação Tecnológica, Trabalho e Renda), promovendo o esporte, a cultura, o desenvolvimento econômico com a economia criativa e o incentivo ao turismo.
Na areia e no mar ocorriam competições esportivas diversas, o que me fez revisar conceitos de gestão e carreira que temos compartilhado nas palestras e atividades de consultoria e orientação de carreira para empresas e para novos estagiários da EvoEstágios Salvador e RMS.
É uma reflexão acerca do trabalho nos tempos atuais e suas modificações, promovidas pela tecnologia e pela virtualização nos contatos humanos em termos sociais e profissionais. O fato é que vivemos novos tempos, pois desde que a tecnologia da informação (hoje com internet e uma concentração de dados e informações em smartphones) passou a tomar conta de tudo e de todos, tem-se que, cada vez mais, indivíduos convivem nas organizações em busca de um convívio, um contato, mais do que propriamente por necessidade das tarefas a serem desenvolvidas. Há uma evidente mudança no trabalho, provocada pela tecnologia.
De fato, as organizações e suas doses de virtualidade fazem com que haja uma visão dialética. Na mesma medida em que é dada ao trabalhador a possibilidade de atuar fora do ambiente físico da empresa, também se exige dele, cada vez mais, habilidades para trabalhar coletivamente. Ou seja, incentiva-se a descentralização das ações, com consequente isolamento das pessoas; mas, ao mesmo tempo, valoriza-se a capacidade de atuar coletivamente na construção de times e equipes comprometidas com o sucesso dos negócios ou, no dizer dos gestores públicos, com o alcance social das metas estabelecidas.
Efetivamente, tem-se aí uma demanda forte para reflexão. Por um lado, identifica-se que nenhum trabalho é isolado, constituindo uma ilha. Pode até ser feito em caráter clausular, mesmo assim unir-se-á a outros trabalhos, formando um conjunto que passe a ter valor agregado.
É sabido, principalmente pelos iniciados em estudos da Qualidade Total, a partir de Deming e Juran, além de Falconi Campos entre nós, que todo produto ou serviço se destina a um ou mais clientes. Os clientes internos ou intermediários utilizam insumos que foram produzidos numa etapa anterior do processo de trabalho, dentro ou fora da organização. Algum contato, portanto, é feito.
E é aí que entram em cena os “jogos” organizacionais. A depender da cultura ou dos valores assumidos pelos colaboradores, jogar-se-á com sentimento de colaboração ou, contrariamente, de competição. Em ambas as circunstâncias, é preciso estar preparado.
Na praia de Vilas pude observar muitas duplas (ou quartetos) jogando frescobol. Este é um esporte parecido com o tênis.
Em que o frescobol se parece com o tênis?
Aparentemente (e só aparentemente), joga-se da mesma forma. Raquetes acionadas, bola levantada em direção ao outro jogador. Alguma semelhança com a empresa? Toda. Processos prontos, material arremessado em direção ao outro colaborador. Exatamente como no tênis e no frescobol.
Porém, e aí reside a principal diferença, o jogador de tênis pratica um jogo competitivo. Ou seja, o objetivo é que o outro tenha dificuldades em receber e devolver a bola. Quanto mais difícil a bola é arremessada, melhor para quem joga e pior para quem recebe.
(Lembra alguma coisa no seu trabalho recentemente?)
É a informação incompleta, o “a partir de agora é com você”, o estado de alerta e vigília para provar que, se deu errado, não foi você o culpado. Poderíamos listar uma centena de posturas que se assemelham a um arremessador no tênis: quanto mais forte e com efeito, melhor para você, pior para ele — mesmo que ele seja seu colega de trabalho, na mesma empresa.
Observe agora a lógica do frescobol. É a da colaboração. Quando você arremessa a bola, quer que o outro tenha facilidade em lidar com ela. Quanto mais fácil a bola chegar para o domínio do outro, melhor. Convém refletir sobre isso.
Você pratica mais tênis ou frescobol na empresa? Que jogos, afinal, são estimulados pelos gestores? Como os jogadores têm se comportado? Qual é a lógica do time? Você sabia que é muito chato “ganhar” todas (e sempre) e acabar jogando sozinho? Quem você conhece que gosta do squash? Quais são, afinal, os “jogos” da sua empresa?
Convém encerrar perguntando: que jogos você joga na empresa?
Até a próxima!

